São Marcos - RS - Prefeitura Municipal

 

Com o calor, o aumento de animais peçonhentos

29/12/2016

Os escorpiões são aracnídeos muito comuns em todo o Brasil. De hábitos noturnos, podem ser encontrados nos mais variados ambientes, em áreas rurais e urbanas, onde procuram alimento e locais escuros para se esconderem como: troncos de árvores, pedras, lajes, porões, túmulos, locais úmidos no geral. São mais ativos durante os meses mais quentes do ano, principalmente no período das chuvas. Sabe-se que o crescimento urbano contribui para o aumento de casos de acidentes com animais peçonhentos, uma vez que a população ainda não sabe lidar com o acúmulo de lixo, com os restos de materiais de construção e até mesmo com o controle de pragas no geral.

Existem cerca de 1500 espécies de escorpiões, sendo 25 realmente perigosas. São predadores ativos e suas principais presas são as baratas, cupins, grilos e aranhas de pequeno porte, e, eventualmente pequenos vertebrados. Podem ficar em jejum de 5 a 6 meses, e em algumas espécies até 1084 dias. Desta forma, fala-se muito sobre a importância de se manter infestações de baratas sob controle, com desintetizações constantes, já que são umas das principais presas dos escorpiões.

Para um bom controle, deve-se considerar a temperatura nas respectivas estações do ano, pois, durante o inverno, os escorpiões podem simular uma perfeita ausência, e de repente no verão, aparecer dentro de globos de luz dispostos no teto e até em banheiros azulejados. São, portanto mais frequentes os acidentes com esses animais nos meses de setembro a dezembro por se tratar da época propícia para a reprodução. Os escorpiões são predados por camundongos, quatis, macacos, sapos, lagartos, corujas, seriemas, galinhas, aranhas, formigas e até os próprios escorpiões.

Existem duas espécies de escorpiões sinantrópicas (que vivem com o homem), são elas: Tityus serrulatus (escorpião amarelo) e Tityus bahiensis (escorpião marrom). Possuem um ferrão venenoso para a captura de presas e para sua própria defesa, por isso, são chamados de peçonhentos. Sua ferroada é muito dolorosa e causa muitos transtornos ao organismo humano. A gravidade do acidente depende do local da ferroada e da sensibilidade da pessoa, podendo até levar a óbito. O escorpião amarelo é o mais importante em termos de Saúde Pública, por ser mais abundante e por ter um veneno mais potente. Outra característica que favorece o seu sucesso nos ambientes urbanos é partenogênese, um tipo de reprodução onde a fêmea se reproduz sem a presença de um macho.

As partes do corpo mais atingidas são: 57% as mãos; 7% os braços; 18% os pés; 3,5% as pernas e 14,4% outras partes. O tratamento através de soro anti-escorpiônico é utilizado somente em casos graves. No Brasil é produzido um soro bivalente. Os sintomas do envenenamento são dor local intensa, salivação, abaixamento na temperatura, lacrimação, escorrimento nasal, hiperglicemia, taquicardia e hipertensão.

Em caso de acidente, medidas devem ser adotadas de imediato e o tratamento instituído o mais rápido possível:

-Limpar o local com água e sabão;

- Procurar orientação médica imediata;

- Se for possível, capturar o animal e levá-lo ao serviço de saúde para identificação.

O Centro de Informação Toxicológica (CIT-RS) disponibiliza um aplicativo que oferece informações sobre animais peçonhentos, com imagens e medidas de primeiros socorros, e possibilita a localização do ponto de soro mais próximo do usuário. Também é possível fazer chamadas de urgência para o plantão 24 horas do CIT/RS através do 0800 721 3000.

É o método mais eficaz de controle, destruir os locais observados no monitoramento, assim acabando com os abrigos preferenciais do escorpião. Vãos em paredes, muros e pisos devem ser calafetados. Controlar insetos ao redor da área de manejo e dentro da área, principalmente baratas. Fechamento total dos espaços existentes entre as portas e o chão. A colocação de uma faixa de azulejos contínua e bem lisa, em torno das paredes externas das casas evitam que adentrem.

O inseticida indicado é à base de Bendiocarbe, indicado para pulverizações residuais de um amplo espectro de pragas, entre elas escorpiões, em edifícios de serviços domésticos, industriais, comerciais e públicos. A aplicação deverá ser feita de acordo com a indicação na bula.

Carla Batista do Nascimento

Médica Veterinária

CRMV 11653

Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente


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